sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Brasil apoia o terrorismo do Hamas

Em novembro, quando recebeu o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o governo brasileiro foi duramente criticado, pois o encontro serviu como legitimação a um líder que adota um discurso belicista e prega a destruição de Israel. As críticas devem agora retornar com força, depois que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (6) que o Brasil estaria disposto a dialogar com o grupo terrorista palestino Hamas.


Segundo a agência de notícias France Presse, as declarações de Amorim foram dadas em Genebra, na Suíça, onde ele se encontrou com Riyad Al-Malki, o chanceler palestino. "Tivemos um contato informal no passado, mas se isso fosse de ajuda, eu não excluiria", afirmou Amorim a jornalistas. O ministro fez questão de dizer que o Brasil não mantém relações com o Hamas, mas afirmou que a diplomacia nacional crê "no poder da razão". "Talvez seja algo ingênuo, mas é assim que pensamos. Nós temos que conversar para convencer as pessoas de um ponto de vista", disse.

Al-Maliki mostrou preocupação com a possibilidade, apesar de Amorim ter afirmado que o Brasil não procuraria tal contato sem a anuência da Autoridade Palestina. "Qualquer tipo de ação ou aproximação com o Hamas hoje pode ser interpretado como um sinal de fraqueza da comunidade internacional e como um sinal de reconhecimento de fato do sistema que o Hamas criou em Gaza através do golpe e da força", disse o ministro palestino.

O Hamas tomou o poder na Faixa de Gaza em junho de 2007 após uma disputa sangrenta com o Fatah, o grupo que controla a outra parte dos territórios palestinos - a Cisjordânia. O Hamas não reconhece o Estado de Israel e é considerado um grupo terrorista por Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Japão e, óbvio, Israel. A maior parte de seu financiamento vem do governo do Irã e o próprio Fatah denuncia o Hamas por suas tentativas de frear o processo de paz palestino, impossibilitando a retomada do diálogo com Israel.

Antes de chegar à Suíça, Amorim esteve no Egito e na Turquia, uma viagem que faz parte da tentativa do Brasil de ganhar influência no Oriente Médio e participar do processo de paz. Malik, o chanceler palestino, se mostrou aberto a essa possibilidade. Ele criticou a atuação de Estados Unidos, Rússia, União Européia e as Nações Unidas e afirmou que "muitos países têm o direito de dar sua contribuição para o processo de paz". Segundo ele, se o Brasil quiser ter esse papel "[os palestinos] devem considerar".

Uma nova tentativa de incluir o Brasil no processo de paz no Oriente Médio será feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março, quando ele visitará Israel, a Jordânia e os territórios palestinos.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI114621-15223,00-BRASIL+MANTERIA+DIALOGO+COM+HAMAS+DIZ+AMORIM.html

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