sábado, 20 de fevereiro de 2010

Direitos humanos – dia de lamentar, não de celebrar

Gerald M. Steinberg

O ano de 2009 foi outro período ruim para os direitos humanos e houve pouco para se celebrar no Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Assassinatos em massa continuaram em Darfur, no Congo e em muitos outros lugares na África, com apenas pouca e esporádica atenção por parte da mídia ou das Nações Unidas. As ditaduras na Coréia do Norte e em Mianmar (Birmânia) aterrorizam seus cidadãos diariamente, sem que se tenha um fim em vista.
No Irã, uma eleição fraudulenta levou milhares de pessoas às ruas para protestarem pela democracia. As manifestações foram duramente reprimidas [pelo governo de Ahmadinejad] (com pelo menos 70 mortos). Ocorreram inúmeras prisões, seguidas por julgamentos simulados à moda stalinista para intimidar os manifestantes.
Tragicamente, o Dia dos Direitos Humanos, que marca o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Convenção Para a Prevenção do Genocídio, de 1948, agora serve como uma lembrança do fracasso lamentável da comunidade internacional em viver à altura de seus compromissos morais.
Ignorando os apelos das vítimas em todo o mundo, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDHNU) está preso a uma agenda política que usa a retórica da legislação internacional como arma na guerra política que tem Israel como alvo.
A Organização da Conferência Islâmica, que controla a agenda do CDHNU e que escolhe seus representantes, não tem nenhum interesse em abrir uma discussão sobre a opressão sistemática das mulheres ou das minorias na Arábia Saudita, na Síria, na Líbia, em Gaza, etc.
Israel é uma alvo conveniente para desviar a atenção, o que explica o enfoque obsessivo nas alegações de “crimes de guerra” [supostamente cometidos pelo exército israelense], inclusive no relatório Goldstone sobre o conflito em Gaza, montado com profunda parcialidade.
Para piorar as coisas, as entidades não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que foram criadas para compensar o comportamento não-ético e a parcialidade dos governos, tornaram-se cúmplices na promoção da opressão.
Rami Ayad
Ignorando os apelos das vítimas em todo o mundo, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDHNU) está preso a uma agenda política que usa a retórica da legislação internacional como arma na guerra política que tem Israel como alvo.

Organizações superpoderosas como a Anistia Internacional, a Human Rights Watch (HRW), a Federação Internacional dos Direitos Humanos, com sede em Paris, e grupos semelhantes, com orçamentos de muitos milhões de dólares, trabalham em sintonia e apóiam a agenda do CDHNU e de outras estruturas internacionais.
Em vez de falarem a verdade sobre esse abuso ostensivo do poder, os representantes desses autodenominados grupos de defesa dos direitos humanos são parte do problema, permanecendo totalmente em silêncio enquanto continuam os abusos na África, na Ásia ou no mundo árabe.
No ano passado houve ainda maior cooperação entre a ONU e as ONGs em distorcerem os valores dos direitos humanos de forma irreconhecível. A HRW foi flagrada tentando levantar fundos entre membros abastados da elite da Arábia Saudita.
Em vez de liderar a campanha contra os abusos impostos pela polícia religiosa wahabita naquele país, essa “entidade de defesa” ofereceu um jantar com a presença de um membro do Conselho da Shura (que supervisiona a aplicação da lei islâmica na Arábia Saudita), no qual o maior destaque foram as difamações de Israel e as advertências sobre o poder de “grupos de pressão pró-Israel”.
Outros escândalos, inclusive a suspensão do “analista militar senior” da HRW, e perguntas não respondidas sobre suas qualificações profissionais, mancharam ainda mais essa organização. Paralelamente, a Anistia Internacional e outros grupos aceleraram seus esforços para transformarem os direitos humanos e a legislação internacional em plataformas ideológicas usadas contra democracias ocidentais e contra sociedades abertas.
Como as análises da HRW, uma porcentagem altamente desproporcional dos relatórios e das campanhas da Anistia Internacional se concentra em criticar os Estados Unidos e os países da OTAN por supostas infrações no Iraque e no Afeganistão, enquanto os terroristas e seus patrocinadores recebem relativamente pouca atenção [...].(

Gerald M. Steinberg – extraído de www.ngo-monitor.org - http://www.beth-shalom.com.br)

O Professor Gerald M. Steinberg ministra aulas de ciência política na Universidade Bar Ilan e chefia a organização ONG-Monitor (Jerusalém, Israel).

Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, janeiro de 2010.


Fonte: Beth-Shalon

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