segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Transtorno bipolar

Suzie Vieira se deu conta de que havia algo de errado com ela no dia em que colocou para fora de casa a enteada e a sua filha numa noite do inverno americano, por causa de uma banalidade que ela nem lembra direito qual era.

A rotina dela era estafante e cansativa, sem contar as constantes alterações do humor que oscilavam entre a euforia, a alegria, o entusiasmo e a irritação, a gritaria e alguns rompantes de fúria contra quem estivesse ao seu alcance. Durante anos seguidos ela alternou entre estes estados de espírito, sentia-se amada por todos e no instante seguinte detestada e odiada pelo mundo todo.

Cada vez que pensava estar bem, lá vinha de novo um furacão de emoções que começava sempre com uma falsa alegria, sempre inconstante e exagerada, a repetição de assuntos já antes terminados, os gastos sempre desnecessários, para em seguida se abater com nunca. Era a pior parte da história, com a sensibilidade aflorada, o choro sem razão nenhuma, a tristeza, a angústia que ia tomando conta, junto com uma enorme ansiedade sem nenhuma razão aparente.

Logo depois tudo passava e voltava à normalidade como se não houvesse acontecido nada, até a próxima crise. Em 2005, Suzie foi passar as férias no Brasil, como faz todos os anos e foi com uns primos e uns amigos deles para Porto Seguro, na Bahia. Lá teve uma crise profunda, provocada por um problema qualquer e uma das pessoas com quem ela estava que é médica, diagnosticou o seu problema como transtorno bipolar.

Foi aí que Suzie descobriu o que lhe afetava o tempo todo e que ela pensava que era somente uma intolerância com atos e atitudes das pessoas que a cercavam ou então o que muitos chamam comumente de "nervoso", mas que na realidade é um problema mais sério do que se pensa. Desde então faz tratamento psiquiátrico e toma remédios controlados e se sente melhor em relação aos anos anteriores.

Ela atribuia os problemas ao relacionamento conturbado com o primeiro marido de quem se separou ou então ao comportamento da enteada que veio morar junto dela em 2000 quando se casou novamente. Só que não era nada disto que ela pensava que fosse.

O problema que afligiu Suzie durante anos é mais comum do que se pensa e atinge pessoas de todas as idades, classes e camadas sociais. O transtorno bipolar, é um transtorno do humor e está relacionado com um desequílibrio neuroquímico cerebral, que não tem cura, mas se for diagnosticado e tratado com eficácia pode trazer uma melhor qualidade de vida ao portador do transtorno.

Quem convive com um bipolar fica perplexo diante de cada nova trapalhada ou atitude incoveniente feita mais uma vez. As vezes busca alguma resposta e se pergunta se o problema é seu ou se fez alguma coisa que justificasse o ato do bipolar. Que raramente se dá conta das suas atitudes e por causa disto não busca ajuda clínica ou terapêutica, mesmo porque acha que não precisa, e que o mundo mais uma vez está contra ele.

Há algum tempo, a atriz Cassia Kiss, contou o drama que a afligiu por muitos anos. Ela sofria de transtorno bipolar, que hoje é controlado com remédio e terapia recomendada pelo seu psicanalista e psiquiatra. Cassia lamentou o tempo perdido em que desconhecia o seu problema, e que hoje é uma outra mulher em todos os aspectos.

Atitudes com a de Cassia permitem que as pessoas tenham conhecimento da existência deste transtorno psiquiátrico que acomete cerca de 1-2% da população em geral e faz com que busquem ajuda médica especializada, ao mesmo tempo em que não devem se envergonhar em nenhum instante do que sofrem.

Suzie, hoje tenta refazer as amizades perdidas por causa do seu problema, ao mesmo tempo em que não se descuida dos medicamentos e das terapias que foram prescritas.

Jehozadak Pereira


Fonte: Jehozadak Pereira

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