quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Travessuras na Casa Branca

Na semana passada a Casa Branca envolveu-se em dois estratagemas hipócritas expondo, de forma dolorosa, a política enganosa e amadora da administração Obama com respeito ao islamismo no Oriente Médio.
O primeiro caso tratava da espinhosa questão do status legal de Jerusalém na lei americana. Em 1947, as Nações Unidas aprovaram a resolução tornando a cidade santa em corpus separatum (do Latim corpo separado) e não parte de algum estado. Após todos esses anos e apesar de tantas transformações, a política externa dos EUA continua defendendo que Jerusalém é uma entidade própria. Ignora que em 1950 o Governo de Israel declarou Jerusalém ocidental como sua capital e que em 1980 declarou toda Jerusalém como sendo sua capital. O poder executivo do governo americano ignora até mesmo leis dos Estados Unidos de 1995 (exigindo a transferência de sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém) e de 2002 (exigindo que documentos dos Estados Unidos reconheçam americanos nascidos em Jerusalém como nascidos em Israel). Contrariamente, insiste que o caráter da cidade deve ser decido através da diplomacia.
Desafiando essa política, os pais americanos, de Menachem Zivotofsky, nascido em Jerusalém, exigiram em seu favor que sua certidão de nascimento e seu passaporte fossem registrados como nascido em Israel. Diante da recusa do Departamento de Estado, os pais ajuizaram uma ação que acaba de chegar a Suprema Corte dos EUA.
As coisas começaram a ficar interessantes em 4 de agosto quando Rick Richman do New York Sun observou que "A Casa Branca reconhece em seu próprio Web site que Jerusalém fica em Israel—assim como o Departamento de Estado e a CIA em seus respectivos Web sites", enfraquecendo assim o argumento do governo. Richman aponta para três menções de "Jerusalém, Israel" em títulos de fotos no Web site da Casa Branca relacionados a viagem de Joe Biden em março de 2010: "O vice presidente Joe Biden sorri com o presidente de Israel Shimon Peres em Jerusalém, Israel"; "Encontro do vice presidente Joe Biden com o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu em Jerusalém, Israel" e "O vice presidente Joe Biden no café da manhã com o ex primeiro ministro da Grã-Bretanha Tony Blair. . . em Jerusalém, Israel". Richman considera que esse uso de palavras é uma "evidência crucial", em potencial, contra a posição do governo.
Uma das fotos no Web site da Casa Branca que menciona "Jerusalém, Israel".
Às 15h22min do dia 9 de agosto, Daniel Halper do Weekly Standard reiterou a evidência de Richman postando a primeira dessas fotos. Duas horas e quatro minutos mais tarde, às 17h26min, Halper relatou que "a Casa Branca aparentemente vasculhou seu Web site, limpou toda e qualquer referência a Jerusalém estar localizada em Israel." O novo título dizia, "O vice presidente Joe Biden sorri com o presidente de Israel Shimon Peres em Jerusalém". Alguém na equipe da Casa Branca esperava que o engodo passasse despercebido. Conforme observa James Taranto no Wall Street Journal, a Suprema Corte não gosta de brincadeiras desse tipo.
Barack Obama continua com a tradição de George W. Bush de receber convidados para o iftar na Casa Branca.
A segunda tapeação tem a ver com a lista de convidados para o jantar iftar (quebra do jejum do Ramadan) na Casa Branca em 10 de agosto de 2010. A Casa Branca publicou a lista de convidados "de alguns participantes aguardados" que incluía 4 membros do congresso, 36 diplomatas e 11 "membros da comunidade". Para alívio daqueles que estão de olho nessas questões, a lista não mencionava nenhum islamista americano. Mas ao que se constatou, "alguns" foi uma palavra usada com duplo significado. Pesquisas realizadas pelo Investigative Project on Terrorism e por outros concluíram que a lista publicada não mencionava os islamistas americanos que compareceram àquele jantar, incluindo Haris Tarin do Conselho Muçulmano de Relações Públicas, Mohamed Magid da Sociedade Islâmica da América do Norte e Awais Sufi dos Defensores Muçulmanos.
(Também digno de nota: A Casa Branca não convidou nem um único representante sequer do grupo de 12 membros anti-islamistas, o American Islamic Leadership Coalition, cuja missão declarada proclama a meta de "defender a Constituição dos Estados Unidos, preservar o pluralismo religioso, proteger a segurança americana e promover a genuína diversidade na prática da nossa fé, o Islã").
Conjugadas, essas duas fraudes levantam a dúvida sobre a integridade e até a sanidade da equipe da Casa Branca que serve Barack Obama. Será que esses engraçadinhos realmente acham que podem se safar com golpes sujos dessa natureza?
Um dos islamistas, Awais Sufi, no jantar da Casa Branca.
Separadamente, cada uma dessas fraudes merece condenação, juntas, simbolizam o caráter de uma administração fracassada, em pânico por ter chegado aos mais baixos níveis nas pesquisas de opinião (43,4 porcento de aprovação de acordo com o conjunto de pesquisas do RealClearPolitics.com), tentam reviver seu sucesso apelando para qualquer meio que se faça necessário, mesmo que suas iniciativas desonestas possam expô-la ao ridículo.
Mais especificamente, os dois incidentes apontam para a bancarrota da política do Oriente Médio e islâmica da administração. A arrogância de 2009 permanece intacta, agora temperada com o fracasso e o desespero.
Atualização de 16 de agosto de 2010: Para obter uma listagem das menções "Jerusalém, Israel" do governo dos Estados Unidos, consulte o amicus brief à Suprema Corte compilado pela Organização Sionista da América, datada de 5 de agosto de 2011.

por Daniel Pipes
The Washington Times
16 de Agosto de 2011
Original em inglês: White House Mischief
Tradução: Joseph Skilnik
 Fonte: Daniel Pipes

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