segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Somália, um país com os céus fechados.





SOMÁLIA

Chegamos em Mogadísio, eu e o Marcelo, no dia 22/11/11 e nos deparamos com 
uma cidade que é uma praça de guerra: Muitos soldados em enormes caminhões, 
todos muito bem armados, muitas armas nas mãos de pessoas, aparentemente 
civis, barricadas com sacos de areia, enormes blocos de cimento nas ruas, 
muita destruição, muita poeira, muito calor.. Tudo isso nos impressionou muito!

No dia anterior à nossa viagem, às 4 da manhã em Nairóbi, quando nos 
levantamos para ir ao aeroporto, estava orando, ainda na cama, quando o 
Senhor veio e me disse: "Eu tenho a chave de Davi, que abre e ninguém 
fecha!" Me alegrei muito porque agora eu tinha uma palavra do Senhor para 
pegar o avião e vir.

Quem nos recebeu no aeroporto foram dois irmãos, não mencionarei nomes 
por motivo de segurança deles, apenas chamarei de irmão X, queniano, que 
a MCM apoia desde 2005 e o irmão Y, somali. O Senhor cumpriu sua 
palavra: temos uma porta aberta na Somália e o contato com cristãos 
precisando desesperadamente de nosso apoio e orações, dando suas vidas
enquanto nós damos quase nada.

Fomos hospedados em uma casa bem protegida por altos muros e com 
sete soldados armados com metralhadoras e fuzis para nos proteger, o que
foi uma exigência do governo para autorizar nossa entrada, pois o 
grande perigo aqui é o sequestro, principalmente por membros da 
AL Shabaab, organização terrorista, que luta contra o governo 
constituído e já tomou quase todo o país, menos a capital, que está 
guardada por 5.000 soldados quenianos e soldados da União Europeia.

Mogadísio, a capital, está com cerca de 4 milhões de pessoas, não 
cabe tanta gente aqui, mas eles vêm aos milhares do interior onde 
não chove a muito tempo e a fome é extrema, mas por saber que 
aqui há a possibilidade de distribuição de comida, eles vêm, 
inchando cada vez mais a cidade. É um ambiente quase desesperador!

    Começamos a ouvir algumas histórias que precisam ser contadas 
para o mundo inteiro: Uma mãe saiu do interior para a capital com 
8 filhos, em busca de alimento. Chegou aqui com apenas 3 filhos, 
os outros morreram de fome na viagem a pé. Outra mãe saiu com 
5 filhos, depois de muito viajarem as crianças não tinham mais 
forças para caminhar. A mãe então teve que tomar uma decisão 
desesperada. Ela podia levar no colo apenas duas crianças. 
Então teria que escolher quais os 3 que deveriam ficar para 
morrerem de fome. E foi o que ela fez. Chegou em Mogadísio com 
as duas que escolheu. As outras 3 ficaram pelo caminho.

Meu Deus! Meu Deus!

Sei que posso pelo menos derramar lágrimas!

É o que estou fazendo.

No segundo dia de nossa estadia, fomos levados ao hospital da 
cidade; tudo muito pobre, pouquíssimos recursos, nem ECG eles 
têm e ao saberem que era cardiologista, (em todo o país não tem 
nenhum), atendi 12 pacientes numa manhã.

Conhecemos alguns acampamentos de pessoas que chegam em 
busca de comida ou assistência médica. São milhares e milhares... 
É de doer o coração (o meu doeu literalmente). São barracos 
redondos, cobertos com um plástico amarelo. Enquanto íamos 
tirando fotos e filmando as mulheres com suas crianças diziam: 
"hungry!" "hungry!" (fome). A MCM vai distribuir U$7.000,00 
(dólares) em alimentos no dia 25, mas isto é uma gota num balde.

Nesta noite conversei por muito tempo com o irmão Y, o somali 
(ele é um cristão secreto).

Ele me disse que em toda a Somália deve haver uns 400 cristãos,
e na capital deve haver cerca de 50 cristãos. Todos em absoluto segredo.

O povo somali não sabe o que é calma, tolerância; a ira está á 
flor da pele, em um instante estão prontos para matar ou morrer. 
Aprenderam a viver em um lugar tão violento, onde a morte é 
companheira deles. Uma informação me deixou triste e revoltado 
foi que o povo, em geral, quer a paz, mas os líderes da guerra não 
querem, porque ganham muito dinheiro com ela.

Quem quiser saber o que é céu fechado venha para a Somália!

Mas diante do que vejo, eu me firmo na Palavra do Senhor: 
"EU TENHO A CHAVE DE DAVI, QUE ABRE E NINGUÉM FECHA" 
e cada vez creio no que está escrito: "as armas da nossa milícia não são 
carnais, mas sim, poderosas em Deus para destruir fortalezas".

Se orarmos regularmente pela Somália é impossível que essa situação 
não mude completamente, nós temos a chave do Reino dos Céus, que
abre qualquer porta.

No outro dia, atendi novamente no hospital da capital. Chegou uma 
senhora de uns 55 anos, muito magra, respirava com alguma dificuldade. 
Comecei a fazer perguntas sobre o que estava sentindo. Era febre, muita tosse, 
(a tuberculose, a brucelose, a febre tifoide e a malária são as 
maiores endemias aqui) e, na conversa, ela contou que viajou durante 5 anos 
 para chegar aqui em busca de ajuda (eu disse cinco anos). Veio de muito 
distante, a pé. Por muitos anos seu sonho era poder ser ajudada, ver um 
médico a sua frente, ser medicada, e comer... E eu? O que poderia fazer? 
Provavelmente nunca mais terei notícias dela, mas vou guardá-la no coração 
como um símbolo.

Voltaremos aqui! Mudaremos essa história pelo poder do Evangelho. 
Eu me lembro que em 2005, quando pela primeira vez visitei os índiosTurkanas, 
no deserto do Quênia, ao fotografá-los, um senhor bastante idoso 
me disse: VOCÊS VEM AQUI, TIRAM FOTOS, E NUNCA MAIS VOLTAM. 
Ouvi envergonhado, e no meu íntimo disse: Dessa vez não vai ser assim, e
hoje a história do Turkanas está sendo mudada, porque voltamos e estamos
cavando poços de água no deserto. Cada poço beneficiando uma comunidade 
de 5.000 pessoas. O mesmo acontecerá na Somália pelo grande poder que o 
Senhor tem para transformar uma sociedade!

Não saberia dizer o que é pior e mais infernal, se o comunismo na Corea ou o
Islã aqui.

Hoje, enquanto atendia no Hospital, estava sentindo como se tivesse 100 
toneladas nas costas. A opressão era tanta que meu corpo doía todo, o 
Marcelo com ânsias de vômito, eu então comecei a orar alto, em português, 
dizendo ao diabo que estava com muita ira dele, aí o céu melhorou, começou 
a abrir, e agora está muito melhor, acho que nem em Varanasi, no começo, o 
céu era tão fechado.

O Islã tem uma estatística mentirosa (afinal seguem o pai da mentira). Aqui na
Somália, como nos países islâmicos, todos são obrigados a seguir a religião 
islâmica, no entanto, penso que uns 90% deles não são de fato muçulmanos. 
Aqui ninguém pode seguir outra religião senão o islamismo, mas na prática
são muito poucos que praticam, muito poucos mesmo.

Outro caso médico que atendi que me marcou, foi uma moça de 27 anos, 
já com 8 filhos (o islã não permite uso de contraceptivos).

Mais tarde fomos visitar um outro local de atendimento médico (não posso 
chamar de hospital). Não tinham uma única gota de remédio; e na "sala de parto"
uma paciente estava dando a luz, nada mais primitivo, sem nenhuma higiene. 
Mas nada me impressionou tanto quanto os barracos dos acampamentos, 
milhares e milhares... Um dos problemas sociais mais graves que já contemplei!

No próximo relatório vou compartilhar sobre a distribuição de alimentos 
que faremos e a reunião com um grupo de cristãos secretos. Na Somália, 
se uma pessoa confessa ser cristã, ela terá duas opções: ou retornar ao islã 
ou ser morta publicamente, não sem antes ser mutilada: Cortam um braço, 
ou a mão, ou uma perna, para assim terem um tempo para se "arrepender" 
e voltar ao islã.

 José Rodrigues





             


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