quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

VENDE-SE UM CANTOR GOSPEL

'Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de
violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte
de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho
das pedras.' Ezequiel 28:16

By Pr. Marcos Góes

Eles estão por toda a parte e são fáceis de achar. Para todos os
gostos e estilos, são capazes de trazer entretenimento a todo o tipo
de pessoa ou culto, quer tradicional ou pentecostal. Contextualizados
e treinados nos "chavões" e no "evangeliquês" convincente, eles
contagiam de maneira eletrizante as multidões e são capazes de
envolver a muitos numa atmosfera religiosa em nome de Deus. Para
contratar os seus serviços não é tão simples assim, requer o
cumprimento de uma gama de exigências, procedimentos inimagináveis que
contando é impossível de se acreditar. Grandes somas em dinheiro,
toalhas brancas, carros conversíveis ou limusines, hotéis do mais alto
padrão e número exigido em cada culto, para que a audiência não seja
medíocre, são algumas das exigências solicitadas (não generalizando)
por grande parte deles. Num resumo bem rápido, é este o perfil dos
cantores "gospel" que perfazem nosso cenário musical evangélico do
Brasil.
Conheci o meio da música cristã em tempos remotos, lá pelo final da
década de 70 e início da de 80, através de um cara magro, camisa
semiaberta mostrando o peito cabeludo, com uma única mochila nas costa
e um violão: Janires era o nome dele. Este veio a ser mais tarde um
dos meus mentores e também meu padrinho da casamento. Líder do
Rebanhão, toda a semana eu viajava com ele para as maiores aventuras
que já vivi na vida em termos de evangelização comprometida com o
Reino de Deus. Saíamos à noite em cima de um caminhão cheio de caixas
de som rumo aos teatros do Rio de Janeiro para fazermos um culto. O
que eu fazia? Eu era o carregador de caixas: põe no caminhão, desce do
caminhão...
Eu fazia isso muito feliz. Janires e o Rebanhão, juntamente com Helena
Brandão (ex-Darlen e Glória), iam aos teatros falar do amor de Deus
não só para o povo mais simples, mas, principalmente, para os
artistas. Na plateia vi muitas vezes artistas renomados chorando ao
ouvir a música e também o forte testemunho daquela mulher. Eu chorava
também! Num canto do auditório, às vezes na penumbra, ficava
imaginando se algum dia teria a oportunidade de fazer aquilo através
da musica, falando do amor de Deus, e constatar muitos se entregando
ao Senhor Jesus através do meu testemunho e da manifestação do Senhor
Jesus usando a minha vida.
Janires morreu! O "pão com mortadela" (nossa janta muitas vezes), a
boleia do caminhão, as caixas de som JBL pesadíssimas... Tudo isso se
passou, mas algo ficou gravado com fogo dentro de mim: o forte
testemunho daquele homem de Deus somente com as suas atitudes. Todas
as vezes em que olhei para Janires, vi que ele não se preocupava com
nada para si, as pessoas a sua volta vinham em primeiro lugar. Ao
conversar com ele, você sentia sua enorme gratidão pela salvação de
sua vida dada pelo nosso Deus, e por isso ele não parava de pregar
esta maravilhosa salvação e graça sem requerer nada em troca. Sem casa
para morar e muitas vezes dormindo lá em minha casa, sem sequer saber
o que, e como, iria almoçar ou jantar no dia seguinte, ele foi para
mim um grande exemplo de total dependência, compromisso e sinceridade
no servir ao Senhor. Sem comprometimento com os homens, somente com Deus.
Percebeu o contraste? Entendeu qual o sentimento que habitava no
coração de alguns dos principais iniciantes da música evangélica em
nosso país? O amor era o combustível e a motivação. Ministério não é
negócio, não é emprego! Não se negocia, não se vende, não se troca o
Reino nem o dom que vem da parte de Deus! Coloquei o versículo de
Ezequiel acima para alertar sobre a "multidão do comercio" a que o
profeta se refere. A profecia contra o rei de Tiro do capitulo 28, e
nada mais nada menos que direcionada ao próprio satanás, e porque ele
negociou o que Deus lhe deu e caiu, pereceu. Sempre entendi e tenho
muito temor a isso.
Não critico aqueles que recebem ofertas ou vendem os seus CDs nos
eventos, pois também faço isso para manter o ministério e também
sustentar a minha família. Mas transformar isso numa barganha, num
mercado de venda do "quem dá mais", na disputa do reconhecimento
humano e da melhor performance, a fim de ganhar o mercado e assim
obter maior lucro e status... Acho extremamente perigoso!
Continuarei guardando, Senhor, a tua palavra em meu coração (Salmos
119:11) e também a imagem dos olhos, palavras e atitudes de Janires, e
perseverarei (ainda que venha a ser o último) a viver sem me
corromper, sendo um eterno devedor, e não vendedor, desta misericórdia
maravilhosa que um dia também me alcançou.

Em Cristo,
Pr. Marcos Góes

Fonte: Ministério Marcos Goes



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BRASÍLIA, CAPITAL DA ADORAÇÃO - BRASIL, TERRA DO AVIVAMENTO
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