segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pesquisa mostra que 93% dos brasileiros acreditam que dinheiro compra felicidade

Uma pesquisa divulgada recentemente pela consultoria de investimentos Skandia International mostrou que 93% dos brasileiros acreditam que dinheiro compra felicidade. E mais: uma renda anual de R$ 302 mil, ou cerca de R$ 25 mil por mês, seria o "preço" para todos se sentirem felizes.


A relação direta entre dinheiro e felicidade, porém, é contestada por outros estudos internacionais e por especialistas que estudam a economia comportamental. Para eles, a comparação com o vizinho é determinante nessa relação. Ou seja: o dinheiro só traz felicidade se a pessoa ganhar mais do que o vizinho ou colega de trabalho, por exemplo.
Um estudo feito pelos professores americanos Rafael Di Tella e Robert MacCulloch e publicado no "Journal of Economic Perspectives" mostrou, por exemplo, que o nível de felicidade da população americana permaneceu estável entre 1975 e 1997. Isso apesar de a renda per capita da população americana ter crescido expressivamente nesse período.
O mesmo resultado foi observado em outros países em que foram feitas pesquisas semelhantes, como França, Reino Unido, Alemanha e Japão.
"Se uma pessoa vive na linha da pobreza e a renda aumenta, o nível de felicidade também aumenta, porque ela saiu de um estado de necessidade e sofrimento. Depois, a mudança não é tão grande assim", diz o economista e professor Samy Dana, que escreveu um artigo sobre o assunto com Bruno Sindic, graduando da FGV.
A consultora de educação financeira e psicanalista Márcia Tolotti concorda. "Pessoas que têm renda menor e não têm acesso a determinadas coisas fazem mais essa relação entre dinheiro e felicidade", diz.
O fato de um consumidor passar a ter a oportunidade de comprar produtos aos quais não tinha acesso e de pedir crédito no banco também gera esse tipo de sentimento. "A sensação de pertencimento é traduzida como felicidade por muitas pessoas."

Nível de felicidade varia de acordo com a referência


Mas a felicidade gerada por questões financeiras, diz o professor Samy Dana, também varia de acordo com a referência.
Para ele, uma pessoa fica feliz se sua renda melhora em relação a outras pessoas. Se a renda de todos aumenta, ou pior, se a renda dos outros aumenta mais do que a daquela pessoa, o efeito não é o mesmo.
Ele cita o exemplo de uma empresa que paga R$ 1.000 para todos os seus funcionários. "Se um funcionário receber um aumento e passar a receber R$ 3.000, mas todos os outros passarem a ganhar R$ 3.100, por exemplo, aquele que teve o aumento menor ficará infeliz, apesar também ter tido um aumento", diz.
Márcia Tolotti afirma que, independentemente do patrimônio de uma pessoa, a comparação de fato sempre vai influenciar suas emoções. É por isso que os consumidores do mercado de luxo, por exemplo, pagam fortunas por produtos exclusivos, a que poucas pessoas têm acesso.
"A pessoa vê um valor muito intenso no olhar do outro sobre ela, e também passa a se dar mais valor. Ela se sente alguém melhor pelo fato de ter um carro melhor do que o do vizinho."

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