quinta-feira, 25 de julho de 2013

Espanha corrige erro histórico e após 500 anos convida os judeus a regressar


Niño judío

Há mais de 500 anos, dezenas de milhares de judeus fugiram da Espanha por causa da perseguição. Agora seus descendentes são convidados a regressar.
Antes da Inquisição espanhola do século XV, em torno de 300.000 judeus viviam na Espanha. Era uma das maiores comunidades de judeus no mundo.
Hoje em dia, existem cerca de 40.000 ou 50.000, mas este número poderia aumentar de forma espetacular.
Em novembro de 2012, o ministro da justiça da Espanha Alberto Ruiz-Gallardón, anunciou um plano para dar aos descendentes da comunidade judia original de Espanha – conhecidos como judeus sefarditas – uma via rápida para obter a nacionalidade espanhola.
A qualquer que puder provar suas origens judias espanholas, disse o ministro, será cidadão espanhol.
A notícia foi como pólvora entre os judeus sefarditas em todo o mundo.
Os requisitos
De acordo com a Federação Espanhola de Comunidades Judias, que processa as solicitações, houve em torno de 6.000 consultas no primeiro mês, entre elas uma de um membro não identificado do Congresso dos Estados Unidos.
“Minha reação inicial foi que se tratava de um momento realmente emocionante, de um ato de justiça”, disse Doreen Carvajal, uma cidadã dos EUA e repórter do New York Times em Paris.
Judeu sefardita
  •  Os judeus que viviam na Espanha desde a época romana.
  • A palavra “sefardita” vem do hebraico “sefarad”, que significa Espanha.
  • No principio foi utilizado para referir-se aos descendentes dos judeus da Espanha.
  • Hoje em dia estão repartidos por todo o mundo: Israel, Turquia, EUA, América do Sul, Grécia, Bulgária, França e Reino Unido, entre outros países.
  • Atualmente o termo judeu sefardita é muito mais amplo, pois também se refere a judeus de origem oriental, asiática e africana.
No total, em torno de 100.000 judeus fugiram da Espanha no curso do século XV. Alguns se foram para o norte da África, mas a maioria se instalou no que era o motor econômico da época: o Império Otomano, que então se estendia desde a Hungria até a Turquia e estava em expansão.
Em torno de 90% dos judeus na atual Turquia são sefarditas. Roni Rodrigues, de 55 anos, um vendedor em Istambul, já obteve seu passaporte espanhol.
“Simplesmente pensei que tinha direito a solicitar a cidadania, e disse: Por que não?”.
Solicitou a sua em 2009, a partir de um acordo já existente, e conseguiu seus papéis em 11 meses, apesar de que alguns de seus amigos tenham esperados por anos.
Ele fala ladino, uma língua moribunda. É específica dos judeus sefarditas e se baseia no espanhol antigo, com palavras tomadas do hebraico e dos muitos países onde se estabeleceram desde então.
Os pais de Rodrigues falavam ladino entre eles, mas não transmitiram a seus filhos. A maior parte da nova geração de judeus sefarditas em todo o mundo também não fala.
Não é raro, sem dúvida, para os judeus sefarditas sentir-se atraídos pela Espanha.
“Continuo sendo espanhol em minha alma e em meu coração”, disse um judeu sefardita britânico, que pediu para não ser identificado.
Ele está construindo uma casa na Espanha. Comprou a terra, e incluindo uma parte para ser enterrado ali.
O aspecto econômico
O historiador de Stanford Aron Rodrigue explica que foram os judeus que se converteram ao catolicismo, em lugar dos que mantiveram sua religião, quem enfrentaram uma maior perseguição durante a Inquisição.
Os convertidos eram vigiados constantemente, pois podiam ser acusados de hereges se fosse demonstrada que na prática da nova religião havia restos do judaísmo. Eram multados, presos e até queimados na fogueira.
Não se sabe com precisão quantos judeus continuaram praticando em secreto sua religião. Os que assim fizeram eram chamados cripto-judeus.
Alguns dos que se converteram foram para colônias espanholas nas Américas, ainda que isto não lhes dava mais proteção, pois também lá as mesmas regras da Inquisição eram aplicadas.
Sabe-se que quando a Espanha expulsou os judeus em 1492,isto teve um efeito desastroso na economia. Muitos eram ricos comerciantes e banqueiros.
“Na época do Império otomano, o sultão comentou que não podia entender por que um grande rei espanhol como Fernando se desfazia dos judeus, que eram uma fonte de riqueza”.
“O sultão se agradou de receber estas famílias judias, que passaram a enriquecer seu império”.
Durante décadas, houve um movimento para permitir o regresso dos judeus sefarditas, mas não está claro por que o governo espanhol resolveu somente agora esta questão.
Na teoria, atrair-los de novo poderia dar um impulso a debilitada economia da Espanha, mesmo que se duvide que muitos voltem a estabelecer raízes na nação ibérica.
“Tendo em conta como as coisas aqui estão desastrosas, eu aconselharia que não fizessem”.
Também tem-se sugerido que a Espanha fez a oferta para apaziguar a Israel, depois que, no ano passado, Madrid apoiou a aspiração palestina a um assento nas Nações Unidas.
Fonte: BBC / Blog